Janeiro em revista
Recomendável a leitura da Revista Piauí de janeiro por pelo menos cinco bons textos. O músico Arrigo Barnabé relembra de quando fazia parte da fanfarra do colégio Marista de Londrina e tocou na final do Mundial Interclubes de 1963, no Maracanã. Bela crônica das memórias de infância. No campo da reportagem, destaca-se a investigação de Paula Scarpin sobre uma cidade que foi inundada e deu lugar a um novo e questionável município. Situação mais recorrente do que se imagina.
Perry Anderson comenta a nova biografia sobre o antropólogo Lévi-Strauss. A repórter Consuelo Dieguez faz amplo painel informativo sobre as condições de atuação da Comissão da Verdade e debate o passado recente ditadorial do país e o direto à memória. Por fim, Clara Becker acompanha a vida parlamentar do jogador e deputado federal Romário e disso extrai um pequeno perfil das práticas políticas nacionais do legislativo. Boa parte dos textos está disponível no site http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-64.
Patrimônio histórico do Paraná em três notícias
Sede da Sociedade Polonesa Renascença em PG vai ao chão (Jornal da Manhã)
http://jmnews.com.br/noticias/ponta%20grossa/1,17435,27,01,sede-da-sociedade-polonesa-renascenca-em-pg-vai-ao-chao.shtml
Clube polonês corre risco de demolição (Gazeta do Povo)
http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1216812&tit=Clube-polones-corre-risco-de-demolicao
Centro histórico de Antonina vira patrimônio nacional (Gazeta do Povo)
http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/verao/conteudo.phtml?tl=1&id=1217148&tit=Centro-historico-de-Antonina-vira-patrimonio-nacional
O direto à cidade em disputa
O Coletivo de Comunicadores Populares produziu uma reportagem sobre a violenta desocupação recente do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP). O vídeo está disponível no YouTube e se chama ‘O Massacre de Pinheirinho: A verdade não mora ao lado’. O registro traz imagens testemunhais do confronto e depoimentos de moradores que não apareceram na cobertura das grandes emissoras de TV, barradas pelo cerco da polícia.
O expediente da cultura (II)
O expediente da cultura deveria comportar outras lógicas para além do ponto de vista estritamente administrativo na gestão pública. Caso contrário, a agenda cultural municipal esvazia, os teatros fecham as portas e os shows ficam raros em janeiro e fevereiro. Sem falar das iniciativas que penosamente restabeleceram um costume durante o ano e nesse período precisam parar, como espetáculos em praça pública ou sessões de cinema. Na maior parte dos casos, não se trata, vale lembrar, de um amplo conjunto de atividades culturais espalhadas pela cidade que cessa nas férias, mas da interrupção das poucas, únicas e restritas opções culturais centralizadas imprescindíveis ao funcionamento da vida cultural e da programação de lazer. Seria diferente em um município com uma ampla e diversificada oferta cultural que abre mão de uns 10% disso em janeiro.
Esse aspecto se desdobra em pelo menos dois problemas. Em primeiro lugar, denuncia a falta de planejamento municipal, estadual e federal para oferta de opções culturais mesmo em período de férias do quadro administrativo. Se a agenda normal sofre interrupção, poderia existir uma programação alternativa, previamente estruturada, condizente com o período. Caso contrário, vicia-se o comportamento social cada vez mais em torno de opções pouco plausíveis como litoral, clubes e balneários – como se isso esgotasse o repertório humano de possibilidades de lazer e diversão. Novamente, vale lembrar, seria diferente se as cidades não dependessem tanto da agenda cultural oficial, com outras ofertas e ações. Implica pensar o envolvimento indireto, então, de outras entidades de finalidade pública para além de prefeituras e secretarias.
Um segundo problema é que, temporariamente, a administração pública ‘se permite’ restringir, durante férias escolares, o acesso dos cidadãos à cultura e a opções na programação de lazer. Torna-se discutível aí o amplo direito constitucional à cultura se programações e ações simplesmente são interrompidas no período – como se o tratamento à cultura fosse tão sazonal quanto o pagamento do IPTU. Em outros termos, significa uma cidade sutilmente menos disponível aos moradores (nas infinitas possibilidades de circulação e fruição pelo espaço urbano) em pelo menos um mês todo ano. Mais previsível que isso só o fato de que janeiro sempre chega.




